Prevaricação? Oficial constrange Sargento a Sexo no 4° D SUP (Quartel dos Ilícitos)

Tenente lotado no 4º DSup, em Juiz de Fora é acusado, por uma Sargento, de assédio sexual, com fartas provas. Quartel, supostamente, não tomou providências (Prevaricação). Sargento está de licença médica em função de quadro grave de depressão.

Por Daniela Arbex

05/04/2018 às 07h00 – Atualizada 05/04/2018 às 14h28

Atestado médico de 7 de fevereiro deste ano aponta que a paciente deveria ser dispensada de comparecer ao quartel em função de risco grave de piora de seu quadro

Um oficial do 4º Depósito de Suprimentos (4º DSUP) do Exército, com quase 30 anos de carreira, está sendo investigado por assédio sexual. A denúncia, encaminhada para o Ministério Público Militar, foi feita por uma sargento que está de licença médica da corporação desde o final do ano passado, em função de um quadro grave de depressão. A doença foi diagnosticada por psiquiatra do Hospital Geral de Juiz de Fora. Em atestado assinado no dia 7 de fevereiro de 2018, o médico diz que a paciente de 29 anos deve ser dispensada de comparecimento periódico ao quartel, como foi exigido por seus superiores, em função de risco grave de piora de seu quadro. Há quase quatro anos no Exército, a praça afirma que foi abusada pelo militar, que teria inclusive tocado partes íntimas dela sem o seu consentimento dentro da unidade localizada na Praça Antônio Carlos. Resultado de sindicância instaurada pelo Depósito em agosto do ano passado, confirma que há indícios de crime, resultando na abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) contra o oficial que foi promovido a primeiro tenente em dezembro do ano passado, durante a realização da sindicância. Apesar de o resultado do procedimento indicar a responsabilidade do oficial, a mulher foi colocada de licença do Exército, em fevereiro deste ano, para posterior desligamento. A suspeita de assédio sexual levou, ainda, a abertura de notícia de fato pelo procurador militar Ulysses da Silva Costa Filho. Um ex-comandante da unidade e um subcomandante também foram denunciados por assédio moral. Eles são acusados de punir a sargento de forma injustificada, inclusive no período em que ela já estava de atestado médico.

De acordo com o advogado da militar, José Carlos Stephan, a situação se arrasta desde 2016. Antes de denunciar o seu superior hierárquico, a militar teria sofrido duas punições, uma delas vinda do homem que a assediaria. Para o procurador legal da sargento, a punição seria uma retaliação diante da recusa dela em ceder às investidas do militar.

Como prova do assédio, a sargento apresentou diversas mensagens telefônicas trocadas no WhatsApp com conotação sexual. No dia 22 de setembro, às 12h08, o oficial escreveu: “Passa na sala do igual (oficial) de dia. Humm. Vamos”. Em outra mensagem, ele afirma que a sargento é “espetacular e cheia de charme”. Em 2 de outubro, às 21h38, ele diz que ela o nega e continua insistindo nos dias seguintes. “Linda”, “espetáculo”, “delícia”. Em novo contato, ele a aborda. “De folga hoje? Saudades”. Em uma mensagem sobre a localização de um documento, ele termina dizendo que “queria um beijinho” da sargento e diz que gostaria de “borrar o batom dela”.

Oficial encaminhava mensagens frequentes para a sargento via WhatsApp com conotações sexuais

Traumatizada, vítima buscou ajuda médica

Ainda segundo a mulher, o oficial teria passado a mão em seus seios e na sua nádega durante o serviço por mais de uma vez. Traumatizada, ela procurou ajuda médica. Por causa da gravidade do caso, o advogado da sargento fez uma representação criminal no Ministério Público Militar por crime de misoginia com assédio moral contra um comandante e um subcomandante do DSUP e ainda crime de assédio sexual contra o oficial. A denúncia foi protocolada no dia 8 de janeiro de 2018. Em resposta, o MPM informou a Stephan ter aberto notícia de fato e autorizado a realização de diligências. De acordo com a analista do MPM, Juliana Consuli Milagres, o procedimento administrativo está em fase de conclusão. “No momento, o procurador está analisando os elementos trazidos pela representante para decisão de futuros procedimentos”, afirmou.

Em nota, o Chefe Seção de Comunicação Social da 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha) informou que a sargenta é militar temporária, e nessa condição tem a revalidação de seu contrato condicionada ao desempenho no exercício da função para a qual foi convocada, revalidação esta processada no meio do ano, para vigorar no ano seguinte. “Em observância ao citado rito, dado o desempenho anterior insuficiente apresentado pela suposta vítima, a mesma foi informada, em julho de 2017, que seu contrato não seria revalidado”, afirmou.

O coronel Malbatan disse, ainda, que a denúncia de assédio sexual foi apresentada em novembro de 2017 e que em função dos indícios de cometimento de crime, a sindicância deu lugar ao IPM. “Este procedimento já foi concluído e remetido à Justiça Militar, estando atualmente em fase de diligências pelo Ministério Público Militar, situação carente de amparo legal para afastar o militar suposto autor das suas funções laborais, posto que não teve nenhuma sentença transitada em julgado em seu desfavor.

Somente após o transcurso dos fatos citados, a suposta vítima apresentou atestado médico para ser afastada das atividades militares e do 4º D Sup, sem ser licenciada por estar sofrendo de transtornos psicológicos, permanecendo adida a sua unidade até que seu tratamento clínico seja concluído, em observância à legislação militar que rege as diversas situações envolvendo problemas de saúde de seus integrantes”. O coronel informou, ainda, que todas as ações adotadas a cerca dos fatos encontram-se estritamente alicerçadas na legislação vigente, de forma a promover a devida apuração de todos os fatos controversos, com vista à aplicação da justiça de maneira isenta e responsável.

https://drive.google.com/file/d/1r4w459QEg_7anMhSLXYbiqEHGldvRJO1/view

Nota do Editor: Organização Militar necessita intervenção e profunda investigação, pois, cotidianamente está envolvido em crimes militares – General, vamos olhar para o umbigo!

6 comentários em “Prevaricação? Oficial constrange Sargento a Sexo no 4° D SUP (Quartel dos Ilícitos)

  • 06/04/2018 em 03:46
    Permalink

    É vidente a derrocada moral que assola as Instituições. É corrupção, roubo, desvios, prevaricação, abuso do poder etc. No Exército, por ser sistemático o abuso do poder frente aos Praças ou dizendo melhor, frente aqueles que não podem se defender, acentua-se essas mazelas , advinda dessas distorções morais. Isso acontece justamente, daquele que é chamado nas ruas como Exemplo de Instituição honrada, que merece ter o controle da Nação. Envolve -se na trama outros órgãos e os tentáculos da imoralidade chega aos que deviam julgar com imparcialidade. A quem o juiz militar irá condenar apenar das claras evidências???? Eu como muitos já sabemos. Pior de tudo isso, que no Brasil, só temos a recorrer a Deus, o resto é necessário reaprender o significado de Honra e Dever. Lamentável o caso, mais um que assoma a um modelo eivado de vícios.

    Resposta
  • 06/04/2018 em 05:33
    Permalink

    Mulher Sargento sofre assédio sexual praticado por oficial do Exército brasileiro(a história se encontra logo abaixo na página do Messias Infante).

    Depois a Sargento é reformada administrativamente por “Esquizofrenia Paranoide” tendo em vista evitar dissabores para o autor/autores e a macular a “boa imagem” da instituição.

    Os militares que se intitulam dono da instituição militar e esbravejam nas redes sociais ética, moralismo, civismo e patriotismo, não tem moral de cobrar dos políticos corruptos suas prisões e tampouco do STF julgamento condizente com a “verdade”, se dentro da caserna ocorre coisas piores e grotesca encoberto sob o manto da disciplina e da hierarquia e protegido por uma justiça que não tutela cidadania e direitos humanos.

    Pasmem senhores! Esse caso vai ser arquivado, o oficial inocentado, a vitima reformada como “louca”( se não for presa e expulsa por calúnia e difamação) e depois de dez anos algum oficial junto com o Ministério Público Militar vão denunciar a sargento mulher(hoje vitima) que usou de falcatrua para se aposentar antes do tempo, que seu estilo de vida não condiz com a situação de reformada no qual ela se encontra.

    Para finalizar, pensem bem quando falar em Intervenção militar, hoje foi essa sargento, amanhã pode ser você objeto de perseguição ou sua querida esposa ou filha assediada sexualmente.

    Assinado LENDA DO 29ºBIB

    Resposta
    • 09/04/2018 em 20:46
      Permalink

      Exatamente assim que eu penso. Uma coisa é o civil, que não conhece a realidade da caserna, clamar por intervenção militar. Outra coisa, é o militar, principalmente o praça, conhecedor das injustiças praticadas contra essa “subclasse”, pedir intervenção militar. Se eles fazem isso com um colega de farda, imagina com o sem-farda (civil)? Começo a desistir de tentar entender o raciocínio do ser humano.

      Resposta
  • 06/04/2018 em 17:12
    Permalink

    Interstício para promoção do Sgt QE publicado hoje no BE.
    Informa aí blog!

    Resposta
  • 06/04/2018 em 19:16
    Permalink

    O Exército está revestido de um falso moralismo. Exige o cumprimento das leis mas quem manda abusa de seu poder, persegue os subordinados que não abaixam a cabeça para vagabundo, gostam de posar como defensores da Nação e da Democracia mas só defendem mesmo suas regalias e a manutenção do status quo. Apesar dos militares estarem entre os servidores do executivo com os piores vencimentos, existe um poder hierárquico que “sobe na cabeça” de muitos oficiais, que não sabem e não têm a mínima condição psicológica e moral de lidarem com esse poder, achando que tudo podem, inclusive assediar sexualmente as mulheres subordinadas. Está na hora do EB cortar a própria carne, reconhecer os erros e punir exemplarmente não apenas o praça que chegou atrasado no expediente, mas o major que frauda licitações, o coronel que usa indevidamente verbas públicas com obras faraônicas em seu PNR e o general que ignora as leis e a Constituição na hora de decidir, aos arrepios da lei, quem vai ou não ser promovido, transferido ou ir para missão no exterior. NÃO QUEREMOS UMA NOVA DITADURA, QUEREMOS QUE O EXÉRCITO SE SUBMETA À CONSTITUIÇÃO!

    Resposta
  • 08/04/2018 em 11:23
    Permalink

    Postei aqui sobre o interstício do Sgt QE.
    Publicado na última sexta feira.
    Continuam os 48 meses para a promoção.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.